Macunaíma, o mítico “herói sem nenhum caráter”, atravessa florestas, cidades e constelações em uma narrativa que desmonta qualquer ideia de Brasil estável e homogêneo. Entre lendas indígenas, fala popular e ironia cortante, Mário de Andrade cria um retrato inquieto do país, onde o riso convive com a violência, o encanto com a esperteza, a preguiça com a pura potência de invenção. Neste romance, o mito não adormece no passado: ele se mistura ao presente e revela, em cada metamorfose do protagonista, as contradições de uma nação em permanente inacabamento.
Publicada originalmente em 1928, a obra tornou-se pedra angular do Modernismo brasileiro, rompendo com modelos europeus e instaurando uma linguagem radicalmente nova, mestiça, sonora, impura por vocação. Macunaíma fala como o povo, canta como o folclore, delira como o sonho, pensa como o ensaio — e, assim, transforma o romance em um grande laboratório de formas e vozes. Ler este livro é confrontar um espelho desconfortável: nele se refletem a malandragem que salva e sabota, o improviso como modo de sobrevi- vência e a sensação de que o país, tal como o herói, nunca se deixa capturar por inteiro.
Esta edição especial resgata o design da capa da primeira edição e o apresenta em capa dura, aproximando o leitor da atmosfera histórica em que o livro surgiu. O objeto-livro ganha aqui uma dimensão de memória e celebração: nas mãos, a materialidade de um clássico; nas páginas, a vitalidade de um texto que continua a interpelar o Brasil do século XXI. Macunaíma permanece vivo não apenas como personagem, mas como pergunta: afinal, que país é este que se reconhece justamente na ausência de um caráter fixo?
| ISBN | 978-65-83765-09-3 |
|---|---|
| Formato | 14 x 21 cm |
| Páginas | 192 |
| Acabamento | Capa dura |
| Lançamento | 10/01/2026 |
| Selo | Cais Editora |
| Design da Capa | Lumiar Design |