Maria Firmina dos Reis nasceu em 1822, na ilha de São Luís do Maranhão, e viveu como professora, poeta e romancista numa sociedade que insistia em não enxergá-la. Autodidata, ingressou no magistério por concurso público e dedicou a vida a educar os que o Brasil oficial preferia ignorar.
Em 1859, publicou Úrsula — o primeiro romance abolicionista da literatura brasileira, e possivelmente o primeiro romance escrito por uma mulher no país. Com ele, deu humanidade e voz interior a personagens negros escravizados, décadas antes de qualquer outro escritor brasileiro ousar fazê-lo com tamanha dignidade.
Morreu em 1917, pobre e quase esquecida. O reconhecimento que lhe foi negado em vida chegou lentamente, trazido por gerações de leitores e pesquisadores que se recusaram a aceitar o silêncio imposto ao seu nome.
Cantos à beira-mar reúne sua produção poética como um ato de justiça e de memória — porque a literatura brasileira só se conhece inteira quando escuta as vozes que tentaram calar.